Rapidinho, R$ 1 tri chegou

27/10/2010 16h52m

 O Leão abocanhou ontem R$ 1 trilhão em impostos pagos pelos brasileiros desde o início do ano. De acordo com o Impostômetro, painel eletrônico que indica a arrecadação tributária da União, estados e municípios, desde o início do ano em tempo real, nunca se arrecadou tanto tão rapidamente quanto agora. No ano passado, por exemplo, a cifra trilionária só foi atingida em 14 de dezembro, ou seja, 49 dias depois. "É preciso que o cidadão se conscientize de que é do bolso de todos nós que saem os recursos que vão para o governo. Por isso, é um direito de todos cobrar o bom uso desse dinheiro, que deveria ser melhor investido na saúde, na educação, e em outras prioridades", disse Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) em coletiva de imprensa logo após o placar atingir R$ 1 trilhão.

Para conscientizar o contribuinte de que é do seu próprio bolso que saiu essa dinheirama destinada aos cofres públicos, a ACSP organizou o Feirão do Imposto, no Pateo do Colégio, onde a população pôde verificar quanto os tributos incidem no preço dos bens e serviços adquiridos cotidianamente.

CPMF –  Na coletiva, Burti declarou que discorda de políticos que querem retomar a CPMF. "O que o  governo precisa fazer é enxugar a máquina e destinar melhor os recursos para saúde, educação e saneamento", afirmou.

 

Para ele, o mais irônico é que, apesar de a arrecadação crescer ano a ano também aumentam o déficit e a dívida pública. "A incoerência revela má gestão dos recursos públicos." 

Se a fome do Leão se mantiver nesse ritmo até o final do ano, estima-se uma arrecadação de R$ 1,27 trilhão em 2010, o que configuraria 12% de crescimento real em relação a 2009. A arrecadação tributária cresce mais que o Produto Interno Bruto (PIB) do País. As previsões otimistas apontam que o PIB de 2010 terá alta de 7%, somando R$ 3,587 trilhões. Com tais números concretizados, a arrecadação passaria a representar 35,57% das riquezas brasileiras.

m parte, o aumento esperado na arrecadação de 2010 é resultado da comparação com uma base fraca, pois ao longo de boa parte de 2009 a economia esteve estagnada. Entretanto, há fatores inerentes ao sistema tributário brasileiro que ampliam a arrecadação, como explicou João Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Para ele, a tributação em cascata é uma das peculiaridades brasileiras. Ela ocorre porque no País um item é tributado várias vezes, sendo que a multi-incidência embute uma grande carga de impostos no bem, que em consequência é vendido por valor maior.

 

Outro motivo para o aumento da arrecadação é a maior eficiência nos processos fiscalizatórios dos fiscos. Exemplos emblemáticos de sistemas que dificultam a sonegação são a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e o Serviço Público de Escrituração Digital (Sped). "Esses fatores somados a expansão da economia explicam o avanço de 12% esperado para a arrecadação tributária", disse Olenike.   

Entre os tributos que mais pesam no bolso do consumidor estão o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que somou 21,47% do R$ 1 trilhão até ontem, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que representou 10,93% do valor.

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