No dia 25 de abril comemora-se o DIA DO CONTABILISTA que, em tese, não deixa de ser uma data comemorativa como as demais, levando-se em conta que a escolha dessas datas tem por finalidade relembrar algum fato histórico, lutas, debates, guerras, conquistas, marcos etc., de um povo, de uma região, ou até mesmo de uma classe.
Historicamente o dia do Contabilista foi criado pelo eminente Senador João Lyra, em 25 de abril de 1926, por ocasião de um discurso proferido no Senado, no qual exaltou a laboriosa Classe Contábil.
O feliz discurso ficou marcado nos anais daquela casa pela célebre frase, “TRABALHEMOS, POIS, BEM UNIDOS, TÃO CONVENCIDOS DE NOSSO TRIUNFO, QUE DESDE JÁ CONSIDERAMOS 25 DE ABRIL O DIA DO CONTABILISTA BRASILEIRO”.
Diante disso o insigne Senador João Lyra, tornou-se Patrono dos Contabilistas, cuja maior Láurea Contábil, leva seu nome MEDALHA “MÉRITO CONTÁBIL JOÃO LYRA”.
Essa honraria, segundo a Resolução CFC 440/76 é destinada a condecorar os que, no campo das atividades cientificas, educacionais, culturais, administrativas e profissionais, relacionadas a Contabilidade, se tenham distinguido de forma notável para elevação da Classe Contábil, e acontece nos anos de realização de Congresso Brasileiro de Contabilidade.
Voltemos, pois, ao assunto que pretendemos abordar.
Em 1926, quando foi instituído o dia do contabilista, a contabilidade era executada de forma manual, através da utilização dos livros Borrador, Razão e Diário e os respectivos livros fiscais, Registro de Entradas, Saídas, Apuração do IVC/ICM/ICMS, Inventário e Registro de Termos e Ocorrências, com auxilio da pena, caneta tinteiro e posteriormente a esferográfica.
Aos poucos e muito lentamente foi evoluindo para os sistemas mecanizados, com utilização da Ficha Tríplice e carbono cópia, nas maquias de datilografia, as maquinas de contabilidade: Ruff, Ascota, Olivetti, IBM e outras, paralelamente as máquinas calculadoras, com apenas as quatro operações (soma, subtração, multiplicação e divisão), cópias de livros contábeis e fiscais com gelatina, carbono copiativos e coisas realmente bem mais trabalhosas que exigiam uma grande parte do trabalho na operação daquela parafernália.
A confecção da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física criada através da Lei 4.625 de 31 de dezembro de 1922, art. 31, preenchida manualmente, depois datilografada com a utilização de carbono para cópia, consumindo noites e noites de trabalho, ao invés de saudável e tranquilo sono.
Era verdadeira insânia, difícil até acreditar ser possível executar os serviços daquela maneira, e para os mais jovens, os pós-computadores, mais difícil ainda imaginar que um dia, foi feito contabilidade sem o uso dessa tecnologia.
Dificuldade maior ainda era o preenchimento de formulários relativos às obrigações acessórias, o mesmo serviço sendo feito por mais de uma vez.
Meados da década de 70 em diante com a utilização dos Microcomputadores e softwares a evolução foi assustadora, inclusive para nós que laboramos antes e depois.
Com certeza a evolução na última década foi maior que todo o período anterior, graças aos HARDWARES e SOFTWARES.
Hoje, todos os sistemas operacionais estão interligados, Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e todas as obrigações acessórias interligadas ao Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), é possível executar o serviço apenas uma só vez, depois através de comandos nas máquinas, sozinhas vão fornecendo as informações necessárias.
Aliás, a evolução da contabilidade sempre esteve associada ao desenvolvimento da sociedade como um todo e, certamente, não poderia ser desarmônica com esse desenvolvimento.
Os avanços trazidos pela evolução da informática e o advento da internet introduziram no campo empresarial, bem mais que meras sofisticações operacionais, trouxeram novos modelos gerenciais, inclusive ampliando o campo de atuação do profissional da contabilidade, - que antes tinha se transformado em mero fazedor de guias de tributos, - hoje um profissional que analisa dados/números e auxilia nas tomadas de decisões, desempenhando seu verdadeiro e real papel.
Diante de toda essa evolução, ainda somos forçados muitas vezes trabalhar finais de semana e feriados, porque estamos vivendo a consolidação dos novos modelos de controle de arrecadação (sped), que num curto tempo abrangerá todas as obrigações acessórias, humanizando a tarefa e o labor do Contabilista.
Sem sombra de dúvidas, com toda essa evolução temos muito a comemorar nesse 25 de abril, porque valeu apena, além de tudo ainda passamos de simples guarda-livros a Profissionais da Contabilidade, um profissional eclético. Embora, hoje no nosso dia, os contabilistas estejam trabalhando no preenchimento das Declarações de Ajuste Pessoas Físicas, que encerra o prazo de entrega no dia 30 de abril, não podendo comemorar aos moldes brasileiro através de festas (muita comida, bebida ao lado de amigos e familiares embalados ao som de boa música), mas será comemorado com muito trabalho em nossos escritórios, ao lado de nossos colaboradores, embalados ao som da sublime frase que instituiu o Dia do Contabilista, “Trabalhemos, pois, bem unidos, tão convencidos de nosso triunfo. . .”
LUIZ GONZAGA WARMLING
Vice-Presidente da Câmara de Fiscalização, Ética e Disciplina do CRCMT
Diretor de Assuntos Legislativos e do Trabalho do SESCONMT e,
Empresário Contábil em Cuiabá/MT.
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