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09/03/2018 11:27

Mulheres se destacam por atuação e crescimento profissional na Contabilidade

A contadora Regina Célia da Silva Paiva tem uma rotina movimentada. Aos 32 anos, trabalha, estuda e também exerce as atividades de casa e cuida do filho de nove anos. No escritório de contabilidade, ela não está sozinha. São mais oito mulheres atuando juntas, com as mesmas atribuições que os outros três colegas contadores.

Regina é uma das 224 mil contadoras e técnicas em Contabilidade que integram uma das profissões em que a equidade de gênero caminha a trilha da realidade. De acordo com dados do Conselho Federal de Contabilidade, atualmente, as mulheres representam mais de 40% da classe. Em números exatos, são 224.796 mil contadoras, enquanto os homens somam 300.528 mil. A expectativa é de que, em menos de 10 anos, o cenário seja 50% para cada gênero.

Foto: O irmão Jonatas Paiva, e o pai Jonas Paiva, dividem o trabalho com a contadora Regina Célia no escritório familiar

“A meu ver, a mulher é mais atenciosa que o homem e acho que esse fato é um dos motivos pelo nosso crescimento no mercado de trabalho, porque a Contabilidade exige cada vez mais conhecimento e atenção na execução dos serviços”, afirma Regina Célia. Além disso, ela ressalta que a maioria dos seus clientes é composta de mulheres, o que reforça o empoderamento feminino no desenvolvimento econômico do Brasil.

Impulsionada pela família, que é formada por quase 70% de profissionais na área contábil, a jovem conta que na universidade a presença feminina já era expressiva. “Quando entrei na faculdade, em 2003, as mulheres já eram quase 50%, por isso, não me recordo de ter sofrido preconceito por ser mulher”, conta. E não foi apenas uma impressão da contadora. Segundo o Ministério da Educação, em 2016, as alunas nos cursos de Ciências Contábeis no País somavam 205.300 mil, enquanto os homens apenas 150.125 mil.

Grandes conquistas no mundo contábil

A presidente da Abracicon, Maria Clara, figura emblemática da luta feminina na área contábil

Para comemorarmos os avanços significativos da equidade na profissão contábil, tivemos a luta expressiva de muitas lideranças femininas nesse espaço, como é o caso do trabalho incansável da presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon), Maria Clara Cavalcante Bugarim.

“A partir da iniciação educacional fora dos muros de casa, saímos para assumir um novo papel na ascendência política e econômica, não somente da família, mas da sociedade. Voamos mais alto durante o caminhar desses últimos dois séculos. Nossa instrução nos arremessou rumo ao desconhecido para a busca do pleno conhecimento filosófico-científico em seu mais alto grau, e a nossa vontade de vencer nos permitiu criar, realizar, ousar, abusar da nossa criatividade, sem, contudo, perder a ternura e deixar de sonhar”, ressalta Maria Clara.

Alagoana, Maria Clara possui três graduações (Ciências Contábeis e Administração, pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió; e Direito, pela Universidade de Fortaleza), e duas especializações em Auditoria e Administração em Recursos Humanos, pelo Centro Universitário Cesmac-Fejal. Tornou-se mestre em Controladoria e Contabilidade, pela Universidade de São Paulo, e doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento, pela Universidade Federal de Santa Catarina. Concluiu, ainda, o seu segundo doutorado em Contabilidade, pela Universidade de Aveiro, em parceria com a Universidade do Minho, ambas em Portugal.

Conhecida por sua determinação e por quebrar paradigmas, desde muito cedo vem ocupando posições de destaque nas áreas governamental, acadêmica e das entidades de classe, assumindo com brilhantismo cargos até então nunca ocupados por mulheres.

Com uma vida profissional marcada pela arrojada atuação nas entidades de classe, presidiu por duas gestões o Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas (1998 a 2001), a Fundação Brasileira de Contabilidade (2002 a 2005) e o Conselho Federal de Contabilidade (2006 a 2009).

Segundo ela, grande parte das conquistas das mulheres na área contábil se deve ao legado do projeto “Mulher Contabilista”, criado há quase 30 anos, que impulsionou a participação feminina em espaços, até então, predominantemente masculinos. “Somos incansáveis por natureza. Desde o início da emancipação feminina, soubemos, inteligentemente, o momento certo de combinar os afazeres domésticos com a nossa própria instrução. Se hoje temos motivos bastantes para comemorar, é porque fomos capazes de seguir em frente, combinando sensibilidade, competência e boa vontade”, ressalta a presidente da Abracicon.

No entanto, Maria Clara acredita que o caminho ainda é longo para a igualdade entre homens e mulheres. Porém, lembra que o empoderamento feminino está a todo vapor. “Estamos, cada vez mais, determinadas a não nos deixar abater diante das situações adversas, conscientes de que, com união, é possível concretizar nossos objetivos. Nossa meta é nos fortalecermos coletivamente, multiplicarmos nossas competências, valorizarmos os nossos serviços e aumentarmos a nossa credibilidade perante a sociedade, como construtoras de uma pátria mais justa e igualitária. Nós não somente queremos ocupar o merecido espaço sociopolítico brasileiro, mas exercer em plenitude a nossa cidadania enquanto mães, profissionais competentes, esposas, cidadãs, mulheres”, conclui.

Mais capacitadas e em busca do equilíbrio

Lucélia Lechete foi a primeira presidente do CRCPR, após 70 anos de liderança masculina

Entre os principais desafios na classe contábil, a vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CFC, Lucélia Lecheta, afirma que está na conciliação entre a contabilidade e os avanços tecnológicos. E, para isso, a unidade entre homens e mulheres é fundamental. “A busca pelo conhecimento não pode mais ficar em segundo plano, o que nos exige planejamento, gestão de tempo, de pessoas, de recursos. E, por isso, precisamos sempre do equilíbrio. Tanto em cima do salto como na sua vida pessoal e profissional. Precisamos trabalhar em parceria com os homens, com outras mulheres. Não há mais como ser diferente disso”, garante.

A conselheira Lucélia Lecheta está na profissão há 32 anos. Foi a primeira mulher a presidir o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, após quase 70 anos de liderança masculina. Para ela, a qualificação é primordial para o crescimento profissional em qualquer área e a dedicação das mulheres é expressiva. Segundo a vice-presidente, elas estão chegando ao mercado de trabalho mais capacitadas e cheias de entusiasmo. Lucélia Lecheta também diz que tem muito orgulho em fazer parte da história do empoderamento feminino na classe contábil.

“Tudo o que tenho financeiramente conquistei com a contabilidade e isso é muito gratificante. Além disso, minhas maiores realizações também foram por meio da Contabilidade. Ser a primeira mulher a presidir o CRCPR depois de quase 70 anos de história é algo do qual me orgulha muito. Eu tenho dito sempre que através do meu trabalho nas entidades de classe, inclusive agora no CFC, busco cumprir um objetivo muito nobre: devolver a contabilidade tudo o que ela me deu. Por isso procuro sempre fazer o meu melhor”.

O empoderamento das mulheres na contabilidade

Por Fabrício Santos
Comunicação CFC

A palavra do momento está incorporada em todos os meios de comunicação. No dia a dia nos deparamos com relatos, depoimentos e casos de sucesso de mulheres que saíram da zona de conforto e foram conquistar o que lhes é de direito: a equidade de gêneros.

Essa equidade pode ser observada em mulheres que ocupam, atualmente, importantes cargos no país, antes liderados por homens, como é caso, por exemplo,  das atuais presidentes do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia; do Superior Tribunal de Justiça, ministra Laurita Vaz; da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge; e da subsecretária de Contabilidade Pública da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, Gildenora Batista Dantas Milhomem. E na Contabilidade não poderia ser diferente. As profissionais estão assumindo importantes cargos no Sistema CFC/CRCs como, por exemplo, a presidência dos Regionais.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Contabilidade, em 1996, apontou que a participação da mulher no cenário contábil era de 27,45%, enquanto a dos homens era de 72,55%.  Após 22 anos, os profissionais da contabilidade com registro ativo representam 536.240 mil. Desses, 307.789 (57,02%) são do sexo masculino e 230.451 (42,98%) são do sexo feminino. E esse número não para de crescer.

Nas eleições do Sistema CFC/CRCs, realizadas em outubro de 2017, elas tiveram papel importante na escolha dos futuros representantes.  E o resultado, trouxe uma boa surpresa: pela primeira vez na história dos 27 Regionais, sete deles – CRCMG, CRCMS, CRCPA, CRCPB, CRCRR, CRCRS e CRCSP - estão, atualmente, ocupados por mulheres.

No Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o histórico da liderança feminina ocorreu na presidência da contadora Maria Clara Cavalcante Bugarim que, por dois mandatos (2006 -2010), deixou um legado que até hoje é lembrado por grandes profissionais da área. E, nesses últimos anos, várias profissionais assumiram postos de chefia e vêm demonstrando que é possível liderar e realizar grandes feitos em prol da classe.

Na atual gestão do CFC, um time de quatro mulheres compõe o Conselho Diretor da entidade, que é formado por oito vice-presidências mais a representante dos técnicos em Contabilidade. As três contadoras que ocupam os cargos são: a vice-presidente de Desenvolvimento Profissional, Lucélia Lecheta; a vice-presidente de Controle Interno, Lucilene Florêncio Viana;  a vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina, Sandra Maria Batista; e a técnica em Contabilidade Maria Perpétua dos Santos. Embora se perceba um avanço da participação da mulher nos cargos de liderança, há, ainda, um longo caminho a ser percorrido.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no setor público as mulheres representam apenas 21,7% dos cargos. Na média elas ganham 76% do salário dos homens em cargos de gerência, na direção esse número cai para 68%.

No cenário contábil, a crescente participação e contribuição da mulher em debates públicos e na tomada de decisões são fundamentais para o crescimento social e econômico do País. Desde a criação do projeto Mulher Contabilista (1991), mantido pelo CFC, que elas vêm apresentando contribuições que envolvem o empreendedorismo e o importante papel da mulher no contexto social, político e econômico. O empoderamento veio para ficar, estabelecendo lideranças corporativas de alto nível para a igualdade de gêneros.

Elas, também, lideram o Sistema CFC/CRCs

Saiba o que pensam cinco das sete contadoras que assumiram a presidência dos Conselhos Regionais.


Foto: Acervo CRCMS. Da esq.: para a dir.: Palmira Leão de Souza (CRCRR), Iara Sônia Marchioretto (CRCMS), Ticiane Lima dos Santos (CRCPA), Vilma Pereira de Souza Silva (CRCPB), Zulmir Ivânio Breda (CFC), Rosa Maria Abreu Barros (CRCMG), Ana Tércia Lopes Rodrigues (CRCRS); e Marcia Ruiz Alcazar (CRCSP)
CRCMG
Rosa Maria Abreu

“As habilidades inerentes ao universo feminino, como sensibilidade e cuidado, agregam valor à profissão contábil, como um diferencial que vai além dos conhecimentos técnicos exigidos. É de se esperar que as mulheres, ao escolherem uma carreira, vejam a Contabilidade como uma opção genuína. E um maior número de representantes femininas em cargo de liderança ainda incentiva cada vez mais mulheres a participarem dos movimentos de interesse da classe. A profissão contábil só tem a ganhar com esse novo cenário.”

CRCMS
Iara Sonia Marchioretto

A presença da mulher no Sistema Contábil Brasileiro, ainda que singela, representa a quebra de paradigmas e a valorização da profissão contábil, em especial em um momento econômico em que se busca indubitavelmente, o resgate de alguns valores como o compromisso e a transparência, o que só aumenta a nossa responsabilidade. 

CRCPB
Vilma Pereira de Souza Silva

Comemoramos hoje o dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta, a vitória e as conquistas alcançadas pelas mulheres na sociedade, provando com excelência que não existem distinções de sexo quando o assunto é o desenvolvimento e a evolução humana.

Mulheres maravilhosas, é com o senso de justiça, determinação e coragem que podemos conquistar os nossos objetivos, sejam eles profissionais, sociais ou  políticos.

Juntas alcançaremos horizontes não imaginados por nossas pioneiras, honrando com a tradição de luta e superação feminina frente a qualquer obstáculo.

CRCRS
Ana Tércia

Importância do papel da mulher no cenário contábil. O momento que estamos vivenciando na Contabilidade em termos de protagonismo feminino, reflete a realidade da mulher na política nacional e mundial.

Embora em número expressivo no mercado, ainda somos poucas na liderança empresarial e política. Por isso, entendo como altamente relevante a chegada de mais mulheres à presidência dos Conselhos de Contabilidade e de outras entidades empresariais. Precisamos gerar informação e cases de sucesso que desmistifiquem os "fantasmas" que rondam a chegada de uma mulher aos altos escalões das organizações.

Nosso desafio é mostrar a competência, habilidade de liderar e empreender, não pelo fato de ser mulher, mas pelo fato de estudarmos, termos experiências e estarmos preparadas para os desafios. Somos tão capazes quanto qualquer profissional; só precisamos acreditar. Não se trata de competição, mas, sim, de senso de oportunidade. Sentir-se capaz é o primeiro passo. Autorizar-se ao sucesso. O protagonismo não se ganha de presente, conquista-se na árdua batalha da intelectualidade e da capacidade de fazer mais e melhor.

CRCSP
Márcia Alcazar

“Estamos muito felizes e orgulhosos de poder representar as mulheres profissionais da contabilidade paulista. Sabemos que esta é uma conquista inédita e importante para nós mulheres e ao assumir a presidência do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo representaremos sempre os profissionais da contabilidade de todos os gêneros.”

Raio X da mulher na Contabilidade

 

 

FONTE: FENACON.


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